Erica Matos
Jhon Arias: o sonho que não se vende
Do interior da Colômbia à Premier League, Arias deixa legado, títulos e a coragem de ser fiel ao próprio coração.
Não, Jhon Arias não está deixando o Fluminense por dinheiro. E quem tentar resumir sua despedida assim, não entendeu nada.
O colombiano, que chegou à Laranjeiras em 2021, transformou trabalho em legado, silêncio em protagonismo e suor em títulos. Campeão da Libertadores, da Recopa, destaque no Mundial de Clubes, dono de assistências e gols, de dribles e de um coração gigante. Mas, acima de tudo, dono de um sonho. E sonho, meus amigos, não tem preço.

Foto: Marcelo Gonçalves/Fluminense
Nos últimos dias, muito se falou sobre sua saída para o Wolverhampton, da Inglaterra. “Ah, mas o Fluminense ofereceu aumento…”, dizem uns. “Não valorizou o clube…”, dizem outros. A verdade? Arias nunca escondeu que queria jogar na Europa. Rejeitou outras propostas porque acreditava que ainda não era hora. Ficou, brilhou, cresceu. E agora que a oportunidade chegou, ele foi. Com a mesma elegância com que jogou, com a mesma intensidade com que nos fez gritar nas arquibancadas.
Até o técnico Renato Gaúcho confirmou: a diretoria ofereceu mais dinheiro, e ele recusou. Porque o que estava em jogo não era um contracheque. Era um capítulo de vida. E quem somos nós para precificar o sonho de alguém?
“O Fluminense me deu tudo. A psicóloga do clube me ajudou a reencontrar minha autoestima”, disse ele após vencer a Libertadores. Foi um desabafo de alma. De quem já tinha vencido muito antes do apito final.
Arias nasceu em Quibdó, uma das regiões mais pobres da Colômbia. Enfrentou as adversidades do futebol sul-americano, atravessou fronteiras e, no Rio, virou referência técnica, tática e emocional.
E agora vai para o Wolverhampton. Não é o Real Madrid, não é o Barcelona. E tem gente que diminui isso. Mas a verdade é simples: sonho não tem prateleira. É pessoal. É sobre pertencer, sobre escutar a voz interior que diz: “É agora”. Arias não está indo buscar status, ele está indo buscar o que é dele por direito: a chance de viver o que sempre quis viver.
Ele parte para a Premier League com a bagagem cheia de memórias e medalhas, mas acima de tudo com a dignidade de quem foi fiel a si mesmo. Leva o respeito da torcida, o carinho dos companheiros e a certeza de que, no coração tricolor, ele tem lugar garantido.
Então, torcedor, não seja egoísta. Ele não é menos ídolo porque quis ir. Muito pelo contrário: é justamente por ser fiel ao que acredita, que Arias se despede ainda maior.
Porque dinheiro compra conforto. Mas sonho? Sonho é o que faz um menino de Quibdó atravessar o mundo para viver o que parecia impossível. E ele viveu. Com a camisa do Fluminense. Com a nossa torcida. Com a nossa história.
Boa sorte, Arias. A Europa está ganhando mais do que um jogador. Está ganhando um exemplo.




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